Segunda-feira, Março 28, 2005
"ponhando" recado na porta...
Olá,
Estarei off-line até quinta feira.
Aos alunos e amigos, deixo um super abraço.
Retorno no final da semana.
Beijos,
I.
9:16 AM
comentários:
Quinta-feira, Março 24, 2005
O Mosaico Mágico da Ciência...
Convido vc a visitar o site da Novae e ler o artigo O Mosaico Mágico da Ciência. Aliás, a chamada de capa está lindíssima.
Aproveito também e coloco aqui a letra de uma música que não me sai da cabeça....rs. Boa páscoa prá todos...
Alceu Valença
Sete Desejos
Recomeçando das cinzas
Eu faço versos tão claros
Projeto sete desejos
Na fumaça do cigarro
Eu penso na blusa branca de renda
Que dei pra ela
Na curva de suas ancas
Quando escanchada na sela
Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde
A mala azul arrumada
Que projetava a viagem
Recomeçando das cinzas
Vou recompondo a paisagem
Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde
E agora penso na réstia
Daquela luz amarela
Que escorria no telhado
Pra dourar os olhos dela
Recomeçando das cinzas
Vou renascendo pra ela
E agora penso na réstia
Daquela luz amarela
E agora penso que a estrada
Da vida tem ida e volta
Ninguém foge do destino
Esse trem que nos transporta
E agora penso que a estrada
Da vida tem ida e volta
Ninguém foge do destino
10:00 AM
comentários:
Sábado, Março 19, 2005
Neblina
Beatriz estava atravessando a avenida quando avistou Paula, e não hesitou em chamar pelo nome a antiga monitora de acampamento, apesar dos quinze anos que distavam da última vez que haviam se visto. Depois do rápido reconhecimento, convidou-a para um café. Queria perguntar, queria saber e resolver a dúvida que a acompanhava há tanto tempo, e estava decidida a não perder a chance de por um fim naquela angústia que se instalara no seu coração desde aquela estranha e misteriosa madrugada.
No dia anterior àquela madrugada, há quinze atrás, o céu cinzento anunciava o término das atividades do acampamento. Durante a tarde, os doze jovens haviam se embrenhado no bosque, aprendendo a seguir trilhas, deixar rastros, marcar árvores, decifrar sinais e vestígios da passagem de gente, bicho ou vento. O calor era imenso e, depois do banho, retiraram-se para o quarto.
As conversas à meia voz trouxeram o sono, e com ele o descanso. Fadiga, tamanha que Beatriz largou roupas e lanternas de qualquer jeito no chão, aliviada com o silêncio noturno e o repouso tão merecido. Devia ser madrugada quando foram acordados, ela e os demais jovens, aos gritos, pelos monitores, jovens apenas poucos anos mais velhos do que aqueles dos quais cuidavam. O burburinho deixou todos assustados: uma monitora havia sumido, estava desaparecida.
Beatriz colocou os sapatos calmamente, enquanto os amigos se vestiam às pressas, preocupados: desconfiava a menina que tudo aquilo não passasse de um trote, uma brincadeira. Teriam que seguir a trilha da monitora desaparecida, não? Pois sim, essa era apenas a continuação das atividades diurnas, uma oportunidade a mais para treinar o aprendido durante a tarde. Era óbvio, evidente, e ela não iria se desgastar à toa. Na verdade, preferia voltar para a cama e deixar para os demais a busca e o resgate da monitora desaparecida e, no entanto, não havia alternativa. Beatriz se pôs a caminhar pela mata que circundava a casa onde se hospedavam. A madrugada, apesar de serena, vinha vestida com um manto brumoso de névoa; mal dava para enxergar os passos adiante, e os jovens se arrumaram numa desorganizada fila indiana, temerosos. Os barulhos, estranhos aos ouvidos urbanos, assustavam e inquietavam. Gritavam os monitores, às vezes, procurando a amiga perdida. Os jovens, ansiosos, buscavam com o olhar a desaparecida.
Como Beatriz desconfiava, foram encontrando pistas e trilhas: pedaços de folhas caprichosamente arrumadas, setas construídas com restos de madeira, um laço numa árvore mais adiante. Em certo momento, diante de uma clareira, viram garrafas e velas coloridas, pratos com comida, sinais estranhos formando símbolos mais estranhos. Os monitores se afastaram do grupo de jovens e começaram a murmurar e, então, Beatriz se percebeu realmente assustada: estaria a jovem em perigo? A respiração ofegante, o pulso acelerado, as faces geladas e o nariz dolorido com o ar frio da madrugada, Beatriz começou a chorar.
Caminharam pela mata por duas horas e, no retorno à casa, já o dia amanhecendo, reencontraram a moça dada por sumida. Preocupada e nervosa, a voz rouca, Paula contava de um bêbado que a seguira, justamente quando preparava a atividade da madrugada antecipadamente combinada com os outros monitores. Falou também da clareira onde outras pessoas dançavam e cantavam músicas estranhas, do seu medo e da disparada que enfim a desembaraçara do seu perseguidor.
No bar, o garçom trouxe as duas xícaras de café e Beatriz percebeu o embaraço e o espanto de Paula ao ouvir sua pergunta: "Você foi seguida? O que realmente aconteceu?" Paula, espantada, despejou algumas gotas de adoçante no café, e mirando fixamente o rosto de Beatriz, permaneceu em silêncio. Beatriz ficou imóvel, apenas observando Paula.
Pediram mais um café, e um outro, e um pedaço de torta de maçã. Cheias de dúvida e pensativas, recordaram: Beatriz, uma madrugada nebulosa, árvores retorcidas, garrafas coloridas e o medo atravessando a bruma; Paula, uma fuga pela mata e uma respiração estranha no seu encalço. Quando finalmente se despediram, evitaram se olhar nos olhos e, quando se reencontraram meses depois, por acaso, numa festa de casamento, não falaram mais do estranho e mesmo sonho, de muito tempo atrás.
1:04 PM
comentários:
Segunda-feira, Março 14, 2005
Na rádio...
Para quem quiser ouvir uma resenha sobre "Debora Fala Reservadamente", é só clicar aqui, e depois selecionar a opção de "ouça". É uma resenha que foi divulgada pela Rádio Cultura de São Paulo, por meio do Projeto Leia Livro.
Boa semana para todos.
6:16 AM
comentários:
Quarta-feira, Março 09, 2005
As novidades...
Foi publicado um conto meu, Miriam e os Divisores, na NovaE. Também na NET, duas resenhas sobre o "Debora Fala Reservadamente Com Todos": uma, de Zema Ribeiro, no O Caixote; outra, de Claudinei Vieira, no site literário Capitu.
10:11 AM
comentários:
Domingo, Março 06, 2005
O choro de Rafaela...
Rafaela entrou no bar, irritada e nervosa. Trêmula, contou para Davi sobre a discussão insensata e infrutífera durante a reunião do Conselho, a briga com o irmão e a sensação de sobressalto que a dominava. "Às vezes, acho que vou explodir..." As faces vermelhas da moça denunciavam o coração acelerado; os olhos brilhavam, talvez por efeito das lágrimas contidas, ou da raiva represada. Preocupado, Davi começou a murmurar, como se falasse para si mesmo: contou dos avanços que fazia em sua pesquisa, sobre a esquerda judaica do início do século passado. Falou de Lieberman, de Vilna, e das idéias revolucionário-socialistas dos jovens judeus, do Bund, de Lênin e de Bakunin.
Rafaela pediu mais uma taça de vinho ao garçom e, agressivamente perguntou para Davi: "Afinal, por que você está contando tudo isso?". Ele respondeu que apenas tentava distraí-la, e ela então o olhou com ferocidade. Levantando abruptamente, a moça foi para a entrada do bar: chovia torrencialmente, e os clientes olhavam com preocupação o trânsito de carros nervosos. Rafaela ficou ali, parada, indiferente à água gelada que, trazida pelo vento noturno, molhava a sua roupa. À chegada de Davi que, solidário, pretendia permanecer ao seu lado, a moça começou a soluçar, e chorando ficou até que o bar esvaziasse e o silêncio invadisse finalmente a cidade.
12:39 AM
comentários:
|
|