(criado em 28 de setembro de 2003)

ARQUIVOS
:: ATUAL ::



Ivy Judensnaider Knijnik

Cidade: São Paulo
História: 44 anos
Formação: Bacharelado em Economia e Licenciatura Plena em Matemática
Pós-graduação: História da Ciência
Área de Interesse: Imortalidade da Alma

Publicação: Debora Fala Reservadamente Com Todos



Pela Internet: na Livraria Cultura e na Submarino. Onde Comprar: na FNAC

Outros Textos Publicados na Internet: A Saga de Suzette
Zelda
Natasha Podorovna
As Filhas do Rabino Mandelbaum
Miriam e os Divisores
O Encontro
Almas Gêmeas


Sobre História da Ciência:
O Mosaico Mágico da Ciência
Rembrandt e os Judeus em Amsterdã


Notícias na Mídia:
Jornal "O Estado de São Paulo
Bate-papo aberto no Terra
Bate-papo aberto no Ig
Sobre a Paixão Virtual
O Caixote



LINKS - ALUNOS:

NovaE

Tradução de Site
Dicionário Português
Dicionário Inglês

Filosofia e Pesquisa
Economia e Administração







Blogs que eu visito sempre...
Adelaide Amorim
Amor e Hemácias
Botequim Poético
Marco Bastos
Rabuja
Rodrigo Gurgel
Sabine
Supra Sumo do Bagaço
Tania Barros
Teoria do Conceito



















Blog da Ivy (e o vento ...)
Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

Dica para o fim de semana...

Para esse fim de semana, sugiro a leitura de dois textos, maravilhosos, do Rodrigo Gurgel (Antes do Fim e Ladainha para um dia chuvoso) e um conto, belíssimo, de Davi Oscar Vaz (Chuva Oblíqua)...
Boa leitura....
Inté segunda.

5:41 PM

comentários:

Quinta-feira, Janeiro 27, 2005


Duayer

Dora e o Circo...
(um post dedicado ao moço do axé....rs)


Dora lembrou do beijo de Ricardo assim que o espetáculo começou. Talvez pelos olhares atentos de todos ao que acontecia no centro do picadeiro. Talvez pela emoção que pairava, as cordas do trapézio descendo às mãos dos artistas, o palhaço concentrado em arrumar o nariz vermelho, a tensão da domadora dos leões. Talvez, por que o beijo de Ricardo sempre a deixasse em polvorosa, o coração batendo mais forte, a carne arrepiada.

Marcelo, o marido, parecia impaciente ao seu lado. Dora pensou na mala arrumada, pronta no armário, esperando ser levada ao aeroporto. "Estarei com ele amanhã. Nos braços dele, nos beijos dele, no cheiro dele. Amanhã. Não passa de amanhã". Por um momento, sentiu uma ponta de dor. "Será que Marcelo vai me perdoar um dia? Será ele capaz de entender o que me move? Será que Marcelo entende o amor?"

Observando o moço que levantava pesos, as coxas musculosas e o sorriso iluminando a lona do circo, Dora se emocionou. "Será que estou indo longe demais?" Quando a moça da malha de ginástica cor de rosa jogou a esfera para o alto (estrelas salpicadas no tecido, um céu prateado se fazendo de segunda pele), Dora se acalmou. O perfume da pipoca, sal e manteiga passeando por baixo do seu nariz, a fizeram lembrar que a pergunta era outra. Com a boca cheia de saliva, ela se indagou. "Será que estou indo longe o suficiente?" Com o pensamento voltado à mala arrumada, Dora suspirou, suavemente.

11:49 AM

comentários:

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Leibe

Leibe era um homem bastante conhecido no bairro, porque vendia quinquilharias, canetas, relógios, lenços de seda e tudo o mais que se pudesse desejar. Ele se dividia entre as vendas em São Paulo e no interior, para onde levava sua mala cheia de novidades e artigos diferentes. Como regra geral, passava uma semana no Bom Retiro e outra viajando de trem pelas pequenas cidades onde tinha a sua freguesia estabelecida. Leibe era um bom sujeito, na opinião de todos. Eles confiavam na autenticidade fraudada das mercadorias, sabiam que ele sempre fazia algum desconto e simpatizavam com a maneira com que tratava os clientes. Normalmente, compravam o necessário e, depois, iam até a casa dele onde, bebendo um copo de vodka, acertavam a conta do mês. Foi uma surpresa quando souberam da morte de Leibe em Araraquara, vítima de um enfarte precoce. Moshe, o médico de confiança de Gitle, esposa de Leibe, acompanhou os procedimentos de traslado e enterro do velho amigo. Ao retornar, procurou contar calmamente à viúva o que descobrira.

Gitle não quis enterrar o marido debaixo da ponte, e desejou ter a oportunidade de viver uma segunda vida, uma outra encarnação, e ser esposa novamente de Leibe, e ter a lembrança do que acontecera na primeira vida, e matá-lo com o facão de cortar carne. Para espanto de todos, Leibe tinha uma outra família em Araraquara. Uma outra esposa, chamada Maria, e outros filhos, chamados Jacó e José. Como se não bastasse, havia morrido nos braços dessa outra esposa que, por ter sido anteriormente instruída, ligara para Moshe, avisando-o do ocorrido. Mas, o que enfezara realmente Gitle, o que a fizera berrar de ódio e quebrar todos os copos e pratos da casa, não fora nada disso. O que a aborrecera profundamente e a fizera chorar de vergonha - e não havia maneira de esconder, porque os funcionários do Chevra Kadisha* também tinham visto - foi saber que Leibe decorara a segunda casa com os mesmos móveis e a mesma decoração escolhida por Gitle para a residência do Bom Retiro. Por se considerar um homem sem conhecimento e sem bom gosto, por saber que Maria era humilde demais para selecionar as peças e arrumar a casa, aproveitara as escolhas de Gitle e comprara tudo em dobro.

Entendo esse movimento de Leibe. Ele compreendia: a felicidade é peregrina. Leibe, como todos nós, só queria sentir-se sempre em casa.


*Sociedade responsável pela manutenção de cemitérios e outras instituições judaicas.

10:26 AM

comentários:

Domingo, Janeiro 23, 2005

Lágrimas Rolam Pela Face...

"...Não existe coisa mais óbvia e pobre, em termos de construção literária, que dizer 'lágrimas rolam pela face'...". Eles falam com ironia e graça, os dois escritores talentosos e charmosos que tanto admiro e ela, minha amiga. Discordo. Por respeitá-los e venerá-los tanto, e por me sentir insegura, protesto baixinho.

Depois, fico pensando. Não, não é óbvio, tampouco pobre. Lágrimas podem, por exemplo, não rolar. Às vezes, ficam entaladas, obstruídas pelo rancor, raiva ou extremo afeto por quem nos observa. Em alguns momentos, podem temer o avanço pelo espaço do rosto, como se pudessem permanecer para sempre, meros lagos profundos a turvar o olhar. Nem sempre lágrimas podem, ou conseguem, rolar.

Além disso, deve-se reconhecer: quando rolam, nem sempre percorrem o caminho da face. Lágrimas podem rolar diretamente para o travesseiro, para a mão que afaga, na direção do gesto que agride. Às vezes, sim, rolam pela face. Algumas vezes, evaporam-se imediatamente, tornando impossível ao observador notar a dor ou o sofrimento. Em outras, voam tão rapidamente que mais parecem pássaros desesperados, assemelhando-se a tudo, menos a pequenas gotas de água e sentimento.

Concluo assim. Não, não é óbvio, tampouco pobre. Nem sempre lágrimas rolam. Nem sempre, ao rolar, o fazem pela face. Para que lágrimas rolem pela face, é necessário - acima de tudo - poesia. Da mesma forma, nem sempre as estrelas brilham. Quando brilham, nem sempre é no céu...

8:26 PM

comentários:

Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

Dica para o fim de semana...



Quando criança (nem tão criança assim, pensando bem), eu era fã de uma coleção de livrinhos, vendidos em banca de jornal. Gostava de ler as estórias de Brigitte Montfort, a "Baby", espiã Número 1 da CIA, publicadas pela Monterrey. Da mesma editora, também apreciava a leitura das lendas sobre Giselle, mãe de Brigitte.

Para quem quiser curtir, está disponivel na net a integra dos originais de As Memórias Secretas de Giselle, a espiã nua que abalou Paris, publicados no Brasil.

Diversão da melhor qualidade, acreditem....rs

Bom fim de semana para todos.

11:25 AM

comentários:

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

faz-de-conta...

Durante a noite passada, sonhando, Anabela lembrou-se de uma atividade escolar, um circo montado lá na Praça 14 Bis. Era só brincadeira de faz-de-conta.

Faziam de conta que eram artistas. Uma garota desenhou, no chão, com giz amarelo, uma linha. Fazia de conta que era trapezista, caminhando com cuidado pelo traço riscado, arriscando-se em movimentos imaginários. Alguns rapazes imitavam orquestra, e a música fazia de conta acompanhar os gestos de outro menino, atirador de facas e malabarista de tochas de fogo.

Hoje, dirigindo pela Av. Nove de Julho, ela procurou o local do circo, desmontado há mais de duas décadas. Ao fechar o farol, desceu do carro e fez uma homenagem àqueles momentos faz-de-conta: usando a memória, deu um salto mortal, de mentirinha. Por um descuido qualquer, morreu...

2:18 PM

comentários:

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005

Para quem gosta de mandar cartões postais, aí vai uma dica: os belíssimos cartões de Tarot do Duayer, artista genial.
É só clicar aqui.

5:19 PM

comentários:

Terça-feira, Janeiro 18, 2005

O Cara Alto...

O cara parecia hirto, travado. Alguém me explicou sobre a imensidão das emoções, o trânsito na sua mente de gênio. No final daquele dia, observando o menino que assistia à televisão, o cara finalmente gargalhou, amarras desatadas e porteira escancarada. Achara graça infinita no olhar irônico do garoto, o pequeno queixo arrogante em sua direção, a deliciosa revolta pela invasão do quarto azul, o humor diante do homem alto e quieto que, imobilizado, lançava sombras no chão de fórmica.

8:55 PM

comentários:

Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
O Encontro
8:23 PM

comentários:

Domingo, Janeiro 16, 2005

Sexta feira à noite, na casa da Marisa Moura, jantei na companhia de um dos nossos maiores escritores, João Gilberto Noll. Conheci também o talentoso e engraçadíssimo Marcelino Freire, e o Santiago Nazarian, jovem e produtivo autor, cujo blog (Amor e Hemáceas) encontra-se agora linkado aqui.

No sábado, Noll, Marisa e eu passamos a tarde no clube A Hebraica. Primeiro, assistimos à inauguração de uma belíssima exposição, da artista plástica Nicola Petragnani. Depois, nos encontramos com o Prof. José Luiz Goldfarb, curador do Prêmio Jabuti, assessor da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo e meu orientador no programa de mestrado (claro, essa última atividade a mais importante....rs). Após o almoço, ficamos curtindo as árvores e falando de cursos de paraquedismo, tatuagens, chapéus e do processo de criação literária. Perfeito, não é?

Pareço deslumbrada? É como me sinto....rs

12:17 PM

comentários:

Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

Ele...

Vamos caminhando até a padaria da esquina. Cerveja e alguma coisa salgada, combinamos. Fico observando os olhos ora sérios ora risonhos. Ele se senta distante de mim. "Com mulher casada, é bom não facilitar". Acho graça, e insisto para que ele se aproxime. "Não, melhor aqui mesmo".

Uma, duas, três cervejas. Ele começa a contar de uma viagem do passado, muito louca, pelo Brasil. Trocamos idéias sobre arrumar malas, encher o tanque de gasolina, e partir por aí, sem lenço ou documento.

Mais cervejas. Olhamos o cardápio e ele não encontra nada salgado que o apeteça. Sugiro outro lugar. "Não, melhor aqui mesmo". Continuamos a falar, cidades e pessoas desaparecidas, internet, orkut e salas de chat. Ele elogia meu texto, faz perguntas, exibe curiosidade e me observa, os olhos ora meigos ora tristonhos. Peço um doce e ele se entusiasma. "Você também precisa de algo doce lá pelas tantas?"

A temperatura cai e decidimos ir embora. No estacionamento, ele me beija respeitosamente e pede para que eu vá com calma. Dirijo pelas avenidas noturnas, satisfeita por ter bebido pouco, acarinhada e tranquila. Resolvo que um dia farei uma homenagem a ele, a mim mesma e a Sam Sheppard. Prometo que pegarei o carro, encherei o tanque de gasolina e irei para um hotel à beira de estrada, no fim do mundo de lugar algum. Observarei o nada e me dirigirei a outro hotel, também à beira da estrada. Comparando os nadas, prometo que compreenderei tudo.

5:00 PM

comentários:

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

(assobiando "Goodnight My Love", com Tavares, o tempo todo...)

Em São Paulo, anoitece.

7:03 PM

comentários:



(e a paixão, e o vento, e o término de uma dissertação)...

Como vcs já devem saber, estou envolvida com o mestrado em História da Ciência. Meu projeto envolve a análise de um manuscrito, datado do século XVII, da autoria de um rabino, sobre a imortalidade da alma.

Acabei de escrever o último parágrafo da dissertação. Queria dividir com vcs, leitores, a minha alegria. Fico com a totalidade da exaustão, e compartilho com vcs apenas a emoção e a satisfação de ter alcançado o meu objetivo. A seguir, o último parágrafo que redigi.

A busca das idéias do Rabino Mosseh Rephael d'Aguilar não tem como objetivo a descoberta de "verdades", "erros" ou "acertos". O recorte que se faz nesse projeto não envolve elucidar as "falhas do passado", tampouco descobrir as idéias que corroboram a nossa visão do mundo, tal como a temos agora. Pretende-se assumir a obra do Rabino como "certa", procurando estudá-la dentro do seu contexto histórico particular. Não se trata, portanto, de descobrir verdades filosóficas, mas de investigar questões filosóficas num determinado momento da História da Ciência, ou seja, entender o Tratado sobre a Imortalidade da Alma em seus próprios termos, tornando irrelevante a verdade ou falsidade dos argumentos utilizados pelo Rabino Mosseh Rephael d'Aguilar.

2:33 PM

comentários:

Domingo, Janeiro 09, 2005

À Beira do Infinito

Um amigo me pergunta, e conto para ele como é o meu escrever, como me inspiro para os textos que escrevo.

O processo é simples. Primeiro, me dirijo mentalmente a um penhasco, à beira do infinito. Desse penhasco, vejo o mar, a linha do horizonte rasgando o espaço.

Depois, abro os braços e me atiro ao mar. Consigo, de forma mágica, escapar a todas as rochas e pedras que lambem as ondas e afundam os marinheiros. Eu me jogo no mar.

O choque térmico da água gelada me assusta. É o frio que me dá a certeza do mergulho.Afundando, vou me "descascando" como cebola. Vou deixando sair de dentro de mim toda a angústia, todas as emoções. Tristeza, alegria, mágoa, raiva, rancor. Vou vendo camadas de sentimentos se despregando de mim, como febre que vai cedendo à força de analgésico.

Quando chego ao fundo do mar, piso com meus pés na areia gelada. Sei que estou no ponto mais profundo da Terra. Sei que posso caminhar, mesmo estando tão longe dos campos e das árvores. Vejo o solo, sinto a superfície submarina e me preparo para retornar.

Ao retornar, vou reconquistando todos os sentimentos que deixei no caminho. Eu os trago para mim, não porque me pertenciam, mas porque os desejo. Desejá-los não significa mais sofrer, apenas tê-los de volta ao meu coração.

Finalmente, retiro o corpo da água. Quando meu rosto sai do mar, e enxergo novamente o céu, e o penhasco, e a beira do infinito da qual me atirei, "vejo" o texto que devo escrever.

O texto já está pronto, esperando por mim.

4:23 PM

comentários:

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

enquanto estou mergulhada nessa árdua tarefa de encerrar minha dissertação, deixo de aperitivo o link para o Bate-Papo Aberto no Terra, que aconteceu em primeiro de dezembro do ano passado, e o link para uma resenha sobre meu livro que foi publicada no jornal O Estado de São Paulo....

volto em breve....

ivy

12:58 AM

comentários:

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

2005...

Espero que, para vcs, a passagem de ano tenha sido tão maravilhosa quanto foi para mim. Aqui em casa, recebendo amigos super queridos (Marisa, David, Denilze, Rodrigo e Mimi), ao lado do Nando e dos nossos lindos filhos, a entrada em 2005 foi simplesmente fantástica.

Agora, estou envolvida - até o último fio de cabelo - na finalização do texto da dissertação do mestrado. Portanto, peço desculpas, mas só poderei postar novamente no blog depois do dia 10 de janeiro.

Deixo um abraço imenso e beijos gostosos em todos.

Ivy

1:13 PM

comentários:

This page is powered by Blogger.